SUPOLOLO entrevista mc peligro (méxico)

o vive latino começa hoje (13.03), aqui nessa selva urbana que é acidade do méxico. miles de atrações fantásticas vão passar pelo Foro Sol e o projeto MC Peligro é um deles. o show do grupo tá marcado para hoje, às 15h50 (horário de cidade do México e 18h50, no horário de brasília), no palco gozadero.

o SUPOLOLO entrevistou Ethel, a vocalista do MC Peligro, uma garota cheia de alegria tropical, bem na vibe de san pancho, uma pequena vila na costa do pacífico mexicano. falamos sobre música, surf, libertade sexual, mexbow (seu primeiro disco), drogas alucinógenas, música brasileira e sobre viver de arte na praia.

a conversa foi uma onda delícia!

1) como e quando nasceu a ideia do MC Peligro?

nos formamos com uma banda de festa em 2014. essa foi a primeira vez que tocamos ao vivo e foi muitoroots. o palco era uma jardineira na esquina de uma mercearia, com um altar de virgem de Guadalupe gigante ao fundo e embaixo da chuva.

2) o mar e a selva de san pancho/méxico são visivelmente inspirações para
o projeto MC Peligro. o que mais inspira tua música?

sou muito fã dos anos 90 e suas musas latinas, como Selena. a vida tropical e coisas sexies que falam da interação entre homens e mulheres me &inspiram. algumas das letras de mexbow são muito – sad girls – e que de alguma forma eu faço piada das minhas próprias experiências pessoais. amo youtube, a cultura da internet, a maconha e as ondas do mar, e tudo isso acaba inspirando minha música também.

3) o que significa MEXBOW?

MEXBOW é o nome do nosso primeiro disco. é o gênero que tocamos e, além
de tudo, é um conceito que engloba uma forma de ver a vida. o MEXBOW define nosso som, que é uma reinterpretação do dance Hall e do reggaeton panamenho. as letras não falam de malandragem, nem de bairro. falam de amor passional, desejo, desamor, sensualidade e festa.

 

4) algumas letras de MEXBOW me parecem um pouco com as de alguns funks brasileiros, por falar de liberdade sexual e falar sobre o lugar de onde se vive. você conhece ou gosta da música brasileira?

eu adoro dançar funk carioca e a cultura brasileira me parece tão rica e colorida. meu surfista favorito é brasileiro e é o campeão mundial, Gabriel Medina. eu adoraria surfar algum dia no Brasil e também sou fascinada por jiu jitzu. fui por muitos anos fascinada por alguns grupos do brasil, como o cansei de ser sexy e bonde do rolê.

5) as letras das músicas do MEXBOW me parecem bastante feministas e empoderadas. como é ser mulher e fazer sua música num país como o méxico?

não tenho muitas barreiras morais que me detenham a dizer o que eupenso. MC Peligro foi para mim uma catarse, onde eu posso espalhar pensamentos sexuais, que para algumas pessoas podem ser escandalosos. eu só quero me divertir e deixo que as letras fluam como chegam, sem pensar muito nisso. nunca me preocupei muito com o que as pessoas pensam sobre mim. se eu fosse pensar nisso, eu trabalharia num escritório, não surfaria e nem cantaria reggaeton.

6)  como é a cena musical de san pancho/méxico?

não existe uma cena propriamente dita. san pancho é na verdade um rancho de 7 quadras no máximo, que às 09 da noite está completamente morta e a vida só volta às 06 da manhã quando os galos acordam o povoado. então não é tão super animado e legal como as pessoas podem imaginar. é um ambiente bohêmio e hippie e a produção local está mais focada nas artes cênicas. temos na cidade um centro comunitário chamado “entre amigos”, que é onde se desenvolvem as atividades culturais locais. san pancho não é um lugar onde rolam grandes festas, é apenas uma pequena comunidade.

7) quem faz as bases de suas canções? como é o processo de construção musical?

eu fico encarregada de fazer as letras, o rap e cantar. caio e hugo (os outros dois integrantes do grupo) fazem a produção das bases. costumamos dizer que nossa música são sacadas de microwave, que a cada sessão que gravamos, fazemos uma correção mínima. nós gostamos dessa forma de produção. não somos muito aficcionados por forma e detalhes. gostamos mais de improvisar do que de planejar e deixar tudo perfeito. acredito que essa onda fresca seja parte da nossa essência.

8) seu último vídeo para a música DMT, me pareceu como um reencontro do homem com a natureza original e selvagem. o que você acha da sociedade atual?

 
as cidades e o boom urbano não são definitivamente a minha onda. o ritmo de vida é intenso e rápido demais. as pessoas sempre terminam cansadas e com pouco tempo para pensar sobre si mesmas. costumo dizer que meu estilo de vida é focado mais no surf-holístico. o que realmente importa para mim é que as pessoas escutem o MC Peligro e se contaminem por esse universo, por um pouco dessa subversão e tornem-se menos sérias. nosso vídeo DMT é uma metáfora disso e foi inspirado na minha experiência com drogas ancestrais como a ayahuasca e a cosmovisão wirrarika.

 

9) o que você anda escutando agora?
estamos escutando fuete billete, kali uchis, farrujo, la mafia del amor e álvaro diaz.

10) é sua primeira vez no vive latino? qual a sensação de estar na estrada rumo a um grande festival?

esse vai ser nosso nono show e será exatamente no dia do meu aniversário. acredito que não existe forma melhor de celebrar essa data. estamos super super felizes e estou pronta para acabar com meus joelhos dançando até o chão.  

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Categories: entrevistas

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